Quando você assiste a televisão, a maioria dos comerciais são feitos por casais tradicionais: um marido e sua esposa, geralmente brancos, de classe média ou classe alta. Achar isso normal faz parte do preconceito passivo. Afinal, a grande maioria das famílias de hoje são de famílias não tradicionais e muito mais simples do que aquelas retratadas nos comerciais.

Se você pesquisar no YouTube, vai ser capaz de encontrar ainda milhões de comentários preconceituosos sobre alguns comerciais que misturaram algumas famílias.

No ambiente de trabalho, é lógico que estes extremos preconceituosos são muito mais sutis. Na verdade, eles dificilmente aparecem. E o primeiro cenário retratado aqui volta, o do preconceito passivo.

A contratação e o preconceito

“Bem…Eu não quero nenhuma menina desarrumada trabalhando como vendedora da minha loja, sabe? Tem que ser bonitinha, arrumadinha, bem limpinha. Você me entende, não é?”.

Estou retratando aqui um caso real. No caso, a contratante estava conversando com uma empresa de recursos humanos sobre o perfil da vendedora que queria para sua loja. Ela disse tudo isso após ver a foto de uma menina negra, muito bonita, que era a mais experiente e motivada para o cargo ofertado.

Na situação, ela acabou contratando uma menina branca, bem apessoada e de classe média, mesmo a empresa avisando que em um teste de personalidade, ela teve um resultado que indicava que ela não poderia ser muito confiável. Dois meses depois, a vendedora foi demitida porque a vendedora foi vista roubando da loja. Ela voltou atrás e contratou a vendedora negra, que em pouco tempo foi promovida a gerente e é responsável, hoje em dia, por algumas lojas da franquia em grandes capitais do Brasil.
Histórias como essa são muito comuns no ambiente das empresas de RH. Nesse caso, a dona da loja aprendeu da pior forma e provavelmente, viu que seu preconceito não a levaria a lugar nenhum. Na realidade, a grande probabilidade é que ela nem percebeu seu próprio preconceito.

E isso acontece com homossexuais, com deficientes, com todo tipo de gente. Só retratei este problema porque é algo comum na história brasileira e é um dos casos mais comuns em empresas de RH.

Preconceito passivo

A maioria das pessoas é cega ao preconceito não por maldade, mas por falta de conhecimento dele. Tradução do texto da foto: prejudice significa preconceito. (Foto: www.gembapantarei.com)

Os colegas de trabalho e o preconceito

Já viram os colegas de trabalho fazendo brincadeiras sobre o gordinho no emprego? Ou sobre aquele colega delicado, ou magrelo. É comum isso no ambiente competitivo do mercado de trabalho, mas não deveria ser nem um pouco natural.
Pode parecer inocente a brincadeira, mas já parou para se colocar do outro lado da história? Você acha que uma pessoa que sabe que é alvo das gozações dos colegas de trabalho vai trabalhar bem em grupo? Ela não vai se sentir parte do grupo, parte daquela equipe. Com isso, vai ser mais difícil trabalhar para um bem comum, que é o bem estar financeiro e sucesso da empresa, assim como a criação de um ambiente de trabalho saudável e produtivo.

Como eu posso curar o preconceito passivo?

Aqui, citamos poucos exemplos do que acontece na vida profissional sobre o preconceito. E sabemos que há muito mais preconceito do que o que falamos aqui. Porém, falar apenas de problemas não vai nos levar a lugar algum. O certo é discutir sobre soluções.

A primeira coisa que você deve fazer sobre o preconceito passivo é parar de participar de qualquer comentário, por mais inocente que pareça, sobre outras pessoas no ambiente de trabalho. Afaste-se de panelinhas de colegas de trabalho que ficam só nesses comentários. Isso não é nem um pouco diferente de colegas de trabalho que ficam fazendo fofocas uns dos outros.

Se for você o preconceituoso, tente entender os motivos do preconceito. Converse com um psicólogo sobre o assunto. Mude suas atitudes quanto às pessoas. Seja mais compreensivo, tente ver o lado positivo nelas. Você pode descobrir em pouco tempo que há colegas de trabalho e funcionários que são muito melhores do que você imagina, só faltava você dar a eles a oportunidade de mostrarem esse valor.

Quando o preconceituoso é seu chefe, você pode mostrar ao começar a apoiar o seu colega que sofre a discriminação. Quando mais pessoas se levantam contra o chefe, ele com certeza vai passar a ver essas qualidades de seu colega também e talvez, perceber seu próprio preconceito. Em alguns casos, pode ser necessário uma conversa com seu chefe e em casos mais extremos, até pedir a saída do emprego.

Considerações finais

Ao abrir os olhos para a diversidade, você vai ver que há muito mais em seus colegas de trabalho, em seus funcionários, e naqueles que podem ser contratados do que podemos admitir ou sequer enxergar. Pode ser difícil assumir o preconceito ou até percebê-lo. Mas quando você o percebe e luta para tirá-lo, o mundo se abre para grandes oportunidades, simplesmente por te tornar uma pessoa melhor.

Vocês já vivenciaram uma situação parecida? O que vocês contam para nós de histórias sobre preconceito no ambiente de trabalho? Compartilhem no espaço para comentários abaixo.

2 comentários para “Preconceito passivo: problema que atrapalha muito sua vida profissional!”

  1. Elisangela Aparecida Moreira

    Concordo com o artigo, me interessei muito aguardo mais artigos.

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  2. Zeli

    Foi muito eficaz me ajudou a concluir um artigo que estava fazendo, de forma mais atualizada.

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